Valterre *título provisório*

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    Valterre *título provisório*

    Mensagem  Unlocalized Ace Attorney em 19/1/2014, 23:04

    Le Prólogo


    Spoiler:

    Reunião

    O Sol já estava prestes a se por no reino de Azuria, sua luz tênue no horizonte sendo a única resistência à escuridão que cairia em breve. Byron sabia que, se não apressasse a seu destino, teria de lidar com uma estrada escura e se guiar apenas pela luz das estrelas, o que seria mais apropriado se fosse um marujo. Porém, como estava viajando há seis dias em sua montaria, do nascer do Sol ao por deste, preferiu não forçá-la mais do que o suficiente. Soltando um resmungo sob sua expiração, voltou a focar na estrada a sua frente e esperou que o Sol conseguisse aguentar por mais tempo.

    - Aquela maldita mensagem não podia ter chegado em hora melhor - reclamou para si mesmo e para seu cavalo - Espero não obter o apelido de atrasado por conta de um mensageiro incompetente.

    Byron se lembrava bem do dia em que havia recebido em seu castelo um mensageiro vestido com a farda do exército de Azuria, um homem moço que aparentava ter não mais do que 19 anos. Da forma que ele gaguejava e se enrolava para passar a mensagem com clareza, o velho lorde deduzira que se tratava de um novo recruta. Havia dito para que ele se acalmasse e respirasse fundo pelo menos umas três vezes durante a conversa, mas isso apenas fazia o mensageiro se desculpar exageradamente. "Até um corvo saberia chegar a meu castelo mais rápido, e o melhor, não me faria perder tempo. Talvez eu tenha uma palavrinha ou duas com o supervisor dos recrutas". O pior foi ter finalmente a oportunidade de ler a carta e saber que havia sido ordenado a visitar a capital no prazo de catorze dias, e que esta havia sido escrita a uma dúzia e meia de dias atrás.

    A viagem longa, as corridas que teve de fazer com sua montaria para se apressar e o pouco tempo de descanso já estavam lhe exaustando. Por mais que quisesse negar, estava ficando velho demais para os seus encargos, mas Byron não aceitaria que ninguém o dissesse que está na hora de aposentar. Insistia que ainda possuía vigor o suficiente para continuar no cargo de General do Exército Real de Azuria e desafiaria qualquer um a prová-lo de que não está mais apto através de um duelo, se o acusador tivesse coragem o suficiente e falta de amor por seus dentes.

    Não demorou muito para que conseguisse avistar as muralhas da capital, Astol, assim como o enorme palácio que ficava na parte mais elevada do planalto em que se localizava a cidade. Suas muralhas acinzentadas e imponentes estavam indistinguíveis de preto por conta da pouca luminosidade, e apenas uma tênue luz avermelhada impedia a ascensão da lua e o cair do crepúsculo.

    - Estamos quase lá. Aguente mais um pouco - Byron deu uns tapinhas de leve em seu cavalo, que relinchou - Também estou cansado, admito. E pelo menos você terá descanso, enquanto eu ainda terei uma longa noite pela frente.

    Logo o portão sul apareceu na frente deles, cerrado. O Rei havia decretado que todos os portões de Astol deviam ser trancados após o por-do-sol e que guardas deveriam se certificar de aprovar visitantes tardios e abrir os portões. Byron achava essa atitude um tanto drástica e desnecessária, pois a capital era o local mais seguro de toda Azuria e nenhum bandido ousaria sequer tentar invadi-la. Essa lei havia sido outorgada durante o período em que haviam indícios de assaltos na Estrada Real e rumores sobre ladrões escondidos nas florestas, com o intuito de manter a ordem na capital antes que algo acontecesse, junto de outra que obrigava o desmatamento de árvores que estivessem a menos de 15 metros da estrada. "Duas leis radicais para um problema que podia ser resolvido apenas avisando tais nobres ingênuos a trazerem seguranças decentes, mas não posso mais discordar, visto que a situação melhorou".

    Byron desceu de seu cavalo e deu alguns passos em direção ao portão. Atrás das grades deste estavam dois guardas, cada um segurando uma tocha, com uma espada embainhada presa no cinto. Suas fardas cinzas os faziam parecer a mesma pessoa, apenas pelo fato de que seus elmos cobriam o rosto inteiro, menos a boca, os olhos e uma parte das bochechas, e a armadura tornava difícil distingui-los pelo físico.

    - Que assuntos você tem em Astol a esta hora da noite, viajante? - perguntou o guarda da esquerda, iluminando o outro lado do portão com sua tocha. Byron supôs que ele o reconheceria como um nobre, mas admitia que era possível ser confundido também com um burguês.
    - Fui convocado para o Conselho Régio por vossa majestade. Sou Byron Eckhart, Herdeiro de minha casa e General do Exército Real.

    O pronunciamento fez com que o guarda apressadamente se aproximasse ainda mais do portão, atônito, e arregalou os olhos ao perceber de quem se tratava. Sua aparência era reconhecida como se sua reputação estivesse escrita em sua testa, mesmo pelos mais novos soldados a se alistar. Nenhum outro nome era tão reconhecido e prestigiado pelo exército, pelo menos nessa geração, apesar da maioria tratar sua idade avançada como motivo para se aposentar.

    "Eu disse desde o início que essa lei era ineficiente na prática. Os guardas mal podem reconhecer os visitantes através da escuridão"

    - S-Senhor! Mil perdões, senhor. - Byron quase se sentiu conversando com o mesmo maldito mensageiro que havia visitado seu castelo.
    - Não é necessário se desculpar, estavam apenas fazendo o seu trabalho - respondeu.
    - Abram o portão imediatamente! - o guarda gritou para os outros, sem parecer ter dado ouvidos à resposta. Byron se perguntou mentalmente o motivo de se sentir obrigado a responder sempre que se desculpavam.

    Em poucos segundos, o portão da capital começou a se levantar. O velho lorde retornou para sua montaria e prosseguiu em seu caminho em direção ao palácio real.

    As ruas de Astol estavam escuras e desertas, iluminadas apenas pelas lamparinas distribuídas pela cidade, e pela luz do luar, graças ao céu limpo daquele dia. Era possível ver, através de janelas, fontes de iluminação como velas e lareiras por trás das casas; também era possível notar que os bares já estavam ficando lotados de clientes, e dava para perceber o cheiro de álcool sempre que passava por perto de um. Durante o percurso, havia encontrado aproximadamente sete guardas a patrulhar a cidade carregando uma tocha consigo, e estes sempre o olhavam com curiosidade, mas se punham a virar o rosto e disfarçar sempre que Byron retribuía o olhar. "Os guardas da capital são mais tímidos do que o normal. Deduzo que seja por estarem enferrujados, vivendo em uma cidade tão tranquila".

    A estrada que levava ao castelo era quase em espiral, por conta do relevo em que a cidade havia sido construída. Por esta razão, quanto mais ele se aproximava do palácio, que ficava no ponto mais alto, mais as casas atrás dele diminuíam e ele obtinha uma vista mais ampla do cenário. A essa altura, era capaz de ver os portões sul e norte, e só não podia ver os portões leste e oeste, respectivamente, por conta do castelo estar localizado nessa direção e um aglomerado de casas estar em sua frente.

    Byron logo avistou a entrada do castelo e os dois guardas que estavam a sua frente, iluminados pelas tochas que seguravam. Não estavam a sós. No meio deles estava um homem razoavelmente alto, de cabelo castanho escuro comprido até a metade de seu longo pescoço e penteado para trás, vestindo uma roupa azul escura elegante com alguns adornos prateados. Sua mão direita repousava no ombro de uma garota de cabelos castanhos claros e compridos, cuja roupa estava ocultada pela longa capa azul escura vestida, que arrastava-se no chão, sua traseira estampada com o símbolo de uma garça prateada. Ronen e, presumidamente, sua filha, concluiu. O que ele pensava quando decidiu trazer uma criança para uma reunião urgente com o Rei?.

    - Se não houverem mais perguntas a respeito de minha pessoa e meus motivos, gostaria de entrar - disse ele em um tom sereno e firme - Sabemos que vossa majestade desaprecia longas esperas, e minha presença é requisitada com urgência.
    - Perdoe-me, milorde. Entrada concedida.

    Quando iam adentrar o castelo, perceberam que os guardas voltaram a olhar para frente, suas mãos segurando o cabo de suas espadas. O pisotear próximo de um cavalo denunciava a chegada de um estranho. O nobre virou-se para trás e avistou Byron, que já estava parado a quatro trotes de distância do portão. Seus olhos se arregalaram levemente por um instante, porém a expressão mudou rapidamente para um sorriso simpático.

    - Lorde Eckhart. É um prazer revê-lo. Poucas são as ocasiões em que podemos nos encontrar dessa forma.
    - Digo o mesmo, Lorde Chantal - respondeu, enquanto desmontava de seu cavalo - Entretanto, gostaria de continuar a conversa dentro do palácio e não deixar vossa majestade nos esperando mais que o necessário. Te alcançarei assim que levar meu cavalo ao estábulo.
    - Estarei lá dentro, então. Venha, Melody - ele virou-se para trás e empurrou de leve a garota em direção a entrada, que o acompanhou, silenciosa.

    Ambos adentraram o castelo enquanto Byron guiou seu cavalo pelas rédeas até o estábulo real próximo. Em sua porta estava um jovem que, após reconhecer seu cliente, levou o cavalo para dentro. Não demorou muito para que Byron voltasse até o portão aberto do castelo e entrasse, dessa vez sem nenhum guarda questioná-lo. Os dois estavam a sua espera, justamente como disseram que estariam.

    - Antes de irmos, você deveria se introduzir ao Lorde Eckhart, querida.

    Como se suas palavras fossem mágicas, a reação na menina mudou de imediato, adotando um sorriso simpático enquanto fazia uma vênia elegante. Julgando pela aparência, Byron concluiu que ela não parecia ser mais velha do que dez anos.

    - Me chamo Melody. É um prazer conhecê-lo, meu lorde - ao ver seu rosto mais de perto, Byron percebeu que ela compartilhava das mesmas feições do pai, inclusive seu longo nariz fino e pele clara, dando jus à garça a representar sua Casa.
    - Já nos conhecíamos antes, mas não me surpreendo por saber que você não se lembra de mim -respondeu, retribuindo com um sorriso leve. Não era típico de Byron sorrir a toa, e isso lhe trazia dificuldades em ocasiões sociais como esta - Pois bem, Lorde Chantal, Lady Melody, vamos?

    Ambos assentiram com a cabeça e seguiram seu caminho juntos, andando lado a lado. O caminho até a sala do trono era fácil de se identificar, mesmo que o castelo fosse um labirinto de corredores que nem mesmo os Lordes Maiores de Azuria conheciam direito. Era o mais amplo corredor do castelo, o único coberto por uma tapeçaria vermelha, e, contanto que seguissem o caminho desde a entrada, não havia como se perder. Byron foi o primeiro a dar continuidade ao assunto.

    - Por acaso sabe de algo sobre o assunto da mensagem que eu não sei?
    - Temo que não - o homem virou-se para Byron e passou a encará-lo - Não vejo nenhuma atitude peculiar em Verome para atrair a atenção de vossa majestade, muito menos agora. Não há sinais de apoio a revoltas populares dentro de Azuria para a anexação de territórios a Verome, como antes havia, nem outras atitudes hostis para conosco. Eu diria até que nossa diplomacia vem melhorando bastante ao longo desses anos.
    - Parece que teremos que descobrir ao início da reunião, então.
    - Francamente, Lorde Eckhart... - o tom de sua voz mudou repentinamente, demonstrando preocupação - Eu espero que nossa diplomacia não seja quebrada tão facilmente. Demorou muito tempo até que relações entre Azuria e Verome se modificassem. Não há mais barreiras comerciais entre nós, e nossos países se beneficiam de nosso tratado de paz.
    - Não acho que é uma questão simples, Lorde Chantal. Não é de minha natureza caluniar os outros pelas costas, mas conheço bem a estirpe de Verome, lido com eles desde antes da morte de nosso antigo rei e ascensão de seu herdeiro ao trono. Rei Aldric é oportunista e esperto como uma raposa. Ele se faz de humanitário e correto, abaixando a guarda dos menos precavidos com sua eloquência como meio de esconder suas verdadeiras intenções. Já experimentamos uma dose de seu veneno antes, durante a época da Repatriação, e você deve se lembrar dos efeitos.
    - Devemos deixar nossas rixas no passado e levar adiante - retrucou rapidamente, com um tom impositor. Houve uma pausa antes do homem continuar seu discurso e voltar ao seu tom original - O que está feito já não é mais reversível. Preocupo-me mais em manter a estabilidade e a paz entre nós do que com rivalidades passadas, resolvidas a tempos atrás. A geração futura não precisa carregar o mesmo ônus que a geração passada deixou para nós.
    - Não é sábio ignorar ameaças como forma de se manter a paz - ressaltou.
    - Há de se indagar se ainda existem motivos para acharmos que estamos sendo ameaçados. Os tempos não são mais os mesmos, Lorde Eckhart.
    - Não são, mas os figurões são os mesmos.

    O caminho que percorreram possuía diversas bifurcações até desembocar  em um salão retangular alto, seu chão coberto pela tapeçaria vermelha que levava até ele. Não era muito chamativo ou elegante quanto se esperaria de uma sala do trono, especialmente por existirem lordes que decoravam seus salões de forma ostensiva. As pinturas retratadas nas paredes possuíam o detalhe peculiar de retratar momentos históricos do reino. Uma mostrava um monarca erguendo seus braços sobre a capital, enquanto outra, mais a frente, demonstrava um campo de batalha sombrio dentro da capital, fogo e escombros tomando conta do cenário enquanto soldados se enfrentavam cercados por cadáveres. A Tomada de Azuria, refletiu Byron, Provavelmente o pior dia que esse reino já teve.. Seus olhos foram guiados automaticamente até o quadro, mesmo que suas pernas se lembrassem de continuar se movendo.

    Quando voltou a si, ele forçou-se a olhar para frente. Um grupo pequeno de quatro pessoas estava a espera deles e prontamente se virou ao ouvirem os passos. Mais a frente deles havia uma curta escadaria que levava aos tronos reais do Rei e da Rainha, e, atrás destes, um portão negro fechado. Apenas um deles estava ocupado; um homem de meia-idade, loiro, porém com alguns fios de cabelo escurecidos e acinzentados, parcialmente ocultados pela coroa em sua cabeça, olhava-os de cima com um semblante rígido, seu queixo pressionado sobre um punho enrijecido.

    - Lordes Eckhart e Chantal, - declarou ele, sua voz retumbando pelo salão - enfim chegaram.

    Byron permaneceu com sua postura incólume, mas reparou que seu colega ao lado havia se enrijecido levemente, apesar de sua expressão permanecer inalterada. Melody estava segurando sua mão direita com mais força, nervosa. Não consigo discernir se está chamando nossa atenção ou se está apenas nos recebendo, ou os dois, pensou. Ronen foi o primeiro a responder.

    - Perdoe-nos pela demora, majestade. Como bem sabes, minhas terras são umas das mais distantes da capital, tal como as de Lorde Eckhart, e não pude agilizar minha chegada tal como desejava.

    Eu teria chegado aqui mais cedo se apenas a mensagem tivesse sido me entregue sem delongas, pensou Byron para si.

    - Não estou a reprimi-los. Chegaram um pouco antes do término do prazo, e o que importa é que agora poderemos começar. Venham.

    O Rei se levantou de seu trono, deu a volta e se dirigiu até o portão negro cerrado. Todos os olhares da sala recaíam agora sobre ele. Ele abriu a porta a direita com ambos os braços, revelando uma parte do que havia por trás daquela porta, e teria entrado se não tivesse sido impedido antes disso pelo súbito questionamento de Byron.

    - Majestade, e quanto a Lucien? Iremos começar sem ele?

    Seu rosto virou-se para o velho lorde no mesmo instante. Sua expressão, a princípio, parecia demonstrar surpresa, mas esta logo foi substituída por uma de raiva, seus olhos pareciam condenar algo ou alguém. O que aconteceu aqui?

    - Lucien está banido do reino e expropriado de todos os bens e pertences que tinha. Se ele valoriza sua própria cabeça, não irá mostrá-la em Azuria nunca mais - disse, em um tom gélido.

    Eram raras as ocasiões em que uma declaração do Rei conseguia surpreender a Byron, porém esta em particular o fez arregalar os olhos diante de todos, deixando-o atônito.

    - De toda forma, a traição de Lucien também será abordada no decorrer de nossa conferência - continuou o Rei, adentrando a sala - Venham, pois temos assuntos de sobra a tratar.

    Spoiler:

    Conselho de Guerra

    Os lordes acompanharam o rei para dentro da sala, Byron sendo um dos primeiros a entrar de tanta ansiedade, deixando Ronan para trás para se despedir de sua filha. Não era tão grande ou larga quanto a sala do trono. Possuía menos da metade da altura dela e nenhuma decoração além das sete cadeiras e da grande mesa com o mapa do continente desenhada. Essas cadeiras eram prateadas, com exceção da que ficava na ponta da mesa, que era dourada, e ornamentadas com o símbolo de sua respectiva Casa nas costas e na frente. Todos os lordes aguardaram de pé até que o Rei chegasse até a sua cadeira e se sentasse, antes de imitá-lo e se acomodassem.

    Byron não conseguia tirar os olhos de uma cadeira em particular, com o símbolo de uma torre negra ladeada por espadas brancas. Era a única que não estava ocupada naquela noite. Ver aquela cadeira vazia o perturbava, forçando-o a tamborilar os braços de sua cadeira de nervosismo. Lucien, o que foi que você fez?, perguntou-se.  Ele era um dos súditos mais próximos do Rei, aconselhando-o desde que adquiriu o trono e permanecendo como seu conselheiro até então. Deve haver algum engano...

    - Comecemos então o conselho - declarou o Rei, sua voz ecoando pelo salão. Byron instantaneamente olhou para ele e deixou de ser hipnotizado por aquela cadeira vazia - Antes que me façam perguntas contarei, aos mínimos detalhes, o que houve, e que eu omiti da carta de propósito, por questões de segurança.

    Ande logo com esse discurso, então. Pensou, seus olhos fixados no homem loiro, inquisidores.

    - Recebi a pouco tempo atrás uma correspondência de um sujeito subordinado de Alaric de Verome. Ele se auto identificou como o novo governador de Alinde, terra que antes pertencia a Lorde Sumerin antes de ter sido cedida à Verome. O selo no fim da carta é incontestável e possui a assinatura do rei. Ele declara desejar que a porção que ainda é mantida por Lorde Sumerin seja cedida à porção dele, e que a consequência de não acarretarmos com essa... ordem... - disse o monarca com desdém, como se estivesse cuspindo algo asqueroso para fora - ... Levará ao aumento dos impostos para a navegação do rio que liga as duas porções e da tributação sobre nossos produtos.

    Um dos homens presentes na sala pressionou o braço direito da cadeira com mais força, sua expressão dura como pedra. Outro, adjacente a ele, se levantou prontamente, arrastando sua cadeira para trás com um ruído que fez com que o Rei fizesse uma careta, e apoiou as mãos na mesa. Ele possuía longos cabelos negros, um rosto largo com uma barba igualmente negra aparada, olhos azuis escuros sem brilho, e vestia uma roupa branca debaixo do manto negro com o símbolo do colosso de bronze nas costas, seu físico assemelhando-se bastante a ele.

    - Isso é um absurdo! - brandiu o homem - Eles roubaram nossas terras, e agora fazem essa... chantagem... conosco? Senhor, nós não podemos-

    O Rei levantou seu braço e bateu com sua mão direita na mesa com força com um punho fechado, fazendo-a tremer por alguns segundos, e então encarou o homem com olhos ferozes. O lorde que havia se levantado mudou sua postura completamente, abaixando sua cabeça e voltando a se sentar.

    - Perdoe-me, majestade... é só que-
    - Lorde Burkhart, a hora de falar chegará em breve. Não me interrompa de novo - ele retirou o punho da mesa e voltou a encarar o centro, sem olhar especificamente a ninguém, e se levantou lentamente - Lordes Maiores de Azuria, nós responderemos ao apelo desse intitulado governador de Alinde de uma forma que ele certamente não esperava ao redigir uma mensagem tão arrogante - o semblante sério e rígido que o rei possuía agora deu brecha para um sorriso irônico - Nossos soldados tratarão de entregar nossa mensagem pessoalmente, junto com a lâmina que lhe privará de sua cabeça. A partir de hoje, Verome aprenderá a nos temer como nunca antes, e Alaric pagará por todos os seus crimes para com a Coroa de Azuria e suplicará perdão a nós, agachado a nossos pés.

    A expressão de Lorde Chantal fez com que os olhos de Byron se arregalassem. Ele estava mais pálido do que de costume, sua boca aberta como se estivesse engasgado com algo, suas unhas apertando com tanta força os braços da cadeira que deixaram marcas. Podia jurar que ele havia morrido sentado, até ele tossir subitamente e agarrar seu peito com a mão direita, respirando ofegante como se tivesse estado dentro d'água até então.

    - Perdoem-me - disse ele sob sua expiração, dificilmente audível - Mas... Mas... Majestade, nós não...
    - Isso foi uma ordem, Lorde Chantal - respondeu o rei, firme. Apontou para todos os lordes enquanto continuava - Todos vocês estão convocados para a invasão de Verome. Nosso primeiro passo será recuperar Alinde desse sujeito inescrupuloso e faze-lo lamentar no mundo dos mortos pelo resto de sua miserável além vida. Nosso objetivo é sitiar a capital de Verome e trazer Alaric até Astol, mesmo que arrastado - seus olhos então se fixaram em Byron, assim como seu indicador - Lorde Eckhart, contarei com sua experiência para liderar a incursão.

    Byron assentiu com a cabeça, seu olhar curioso a observar tanto o Rei quanto os outros lordes.

    - Lorde Sumerin cuidará da defesa das fronteiras enquanto nosso exército estiver na ofensiva. Lorde Burkhart deve se juntar a Lorde Eckhart assim que possível e se submeter às suas ordens. Os demais lordes irão suprir as necessidades do exército com os recursos que puderem fornecer, incluindo, claro, alguns de seus próprios homens - o rei olhou de cima para o grupo e apoiou suas mãos na mesa. Houve um breve silêncio enquanto todos olhavam a ele, esperando - Alguém possui alguma colocação a fazer?

    - Preciso de alguns detalhes técnicos antes de iniciar a campanha - disse Byron - Quantos homens terei disponíveis?

    - Tantos quanto forem necessários para sitiar Verome - respondeu prontamente o monarca -  A maior parte do exército vai contigo, o que totaliza cinquenta mil soldados. Julgo que seja o suficiente.

    - S-Sim, é o suficiente - afirmou, tentando não deixar seu nervosismo se refletir em seu tom. Mesmo tendo sido general do exército de Azuria por mais de duas décadas, nunca havia liderado tantos homens ou levado uma incursão até um país inteiro. Ainda assim, com tantos homens e um ataque fulminante... Isso será um massacre, a princípio.

    - Eu tenho minhas dúvidas quanto a essa incursão - disse prontamente Ronen Chantal, tendo recuperado sua compostura - Nós não sabemos se possuímos recursos o suficiente para sustentá-la, a início de conversa. Se não der certo, acabaremos de vez com nossas relações diplomáticas e sofreremos retaliação. E também...

    - Ridículo! - a proclamação impositiva de Lorde Burkhart fez com que Ronen fosse abafado, calando-se em vista da interrupção - Não tememos a retaliação de um país que possui mais mercadores franzinos e nobres incapazes de levantar mais que uma colher de pau do que soldados. Além disso, lembre-se que estamos em época de colheita... - ele sorriu de forma maliciosa, fitando-o com um olhar arrogante - Algo que você deve saber muito bem, sendo a sua Casa uma das maiores produtoras agrícolas do reino, pelo que consta.

    - Não é tão simples assim, Lorde Burkhart. O problema não está no poderio militar deles, mas sim no que o dinheiro e a influência deles podem comprar. Se conseguirem apoio do reino de Renval, lidaremos com um exército maior que o nosso.

    - Oh? - o lorde em oposição riu levemente - É bem provável que, com um exército desse tamanho, Lorde Eckhart consiga conquistar uma boa parte de Verome antes que consigam suplicar por socorro a Renval. E mesmo que cheguem a esse ponto - ele levantou seu punho direito e o fechou com força - Venceremos eles da mesma forma que fizemos antes e os mandaremos a casa com os rabos entre as pernas.

    - Com um exército já desgastado pela guerra enquanto o deles estaria intacto? Pouco provável - disse Ronen Chantal, olhando-o com desdém e permanecendo com seu semblante estoico - Se formos mal sucedidos na guerra, nos colocaremos em posição de risco. Vale mesmo a pena por tudo a perder por uma injúria tão leve?

    A atenção dos dois se voltou ao rei quando este decidiu se manifestar.

    - Essa injúria leve é uma de muitas que já se acumularam ao longo do tempo, não posso mais tolerar abusos, e não vou. Se eles estão tão intentos em zombarem de nós, verão agora que esta foi uma péssima ideia. Quanto a suas objeções - ele estendeu sua mão em direção a Ronen - Eu já havia pensado na possibilidade deles pedirem ajuda a Renval, e possuo um plano.

    As sobrancelhas de Byron se ergueram, curioso. O problema não era Verome em si que, por mais que fosse um território extenso, tinha um poderio militar medíocre, mas sim sua aliada. Se ele conseguir deixar Renval neutra, venceremos. Nem que leve anos, mas venceremos.

    - A aliança entre os dois só se manterá enquanto Verome ser capaz de pagá-los. Lorde Eckhart, o que me diz sobre dividirmos o exército em dois e focar cada parte em um alvo em comum? Se atingirmos os pontos que movem a economia do país, os pilares que sustentam seus recursos tombarão. Enquanto isso... - o monarca apontou com seu indicador para a capital de Verome no mapa ilustrado na mesa - Outra parte avança em direção a capital. Teremos, pois, dois alvos: Um econômico e um político.

    - Dividindo nossos números, nos tornaremos mais fracos. Entretanto, cada exército totalizará vinte e cinco mil homens - Byron acenou com a cabeça, confirmando -  Julgo ser o suficiente para atacar dois alvos em comum, contanto que o exército visando o alvo político se mantenha firme enquanto o outro enfraquece o país.

    - Então está resolvido. Prosseguiremos como planejado, e desejo ser informado sobre os avanços ao longo da campanha. Agora, gostaria de falar sobre a deserção de Lucien e seu banimento do reino.

    Deserção? Byron lembrava que antes ele havia apenas revelado sobre o banimento, mas nada que se referia a deserções. Foi Lucien quem tomou a atitude, então? Sua mente já estava cheia com as revelações dessa noite, e já não sabia mais se aguentaria mais surpresas pela frente.

    - Como as terras das quais ele possuía controle são mais próximas da capital, ele foi o primeiro a aparecer. Resolvi contar minhas intenções a ele quando veio me questionar, e não chegamos a uma concordância. Lucien decidiu nos abandonar a se juntar a nossa guerra contra Verome. Portanto, segundo a lei de Azuria, as terras da Casa Reinhart serão passadas à Casa que possuir maior vínculo com esta.

    - Um momento, majestade. - interveio Byron - É verdade que Lucien não deixou herdeiros, mas ele era apenas o governador provisório de Reinhart, posto no lugar pelo legítimo herdeiro da Casa, Raymond. A princípio sua filha herdaria a liderança da Casa, mas... - ele pausou por um momento, engolindo seco, antes de continuar - ela decidiu fugir junto de meu irmão, a muito tempo atrás. Se eles por acaso possuírem filhos ou netos, estes não seriam os novos herdeiros legítimos?

    O rei suspirou e acenou com a cabeça levemente, como quem desaprova de algo.

    - Se encontrá-los, são, mas o ônus da prova estará contigo, e será difícil que sejam reconhecidos como legítimos. Isso, claro, se existirem. Francamente, prefiro enterrar essa possibilidade.

    - Lucien acreditava que eles existem. Se eu encontrá-los e conseguir provar sua herança, a legitimidade deles será reconhecida?

    - Se após a guerra conseguir encontrá-los por algum milagre, analisarei seu caso, mas duvido que vá acontecer. Enfim, - o rei voltou a olhar para todos, sua visão centralizada no grupo -  se o conselho não possui mais nada a dizer, estão dispensados.


    Última edição por Ray em 31/5/2014, 20:57, editado 11 vez(es)
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    Re: Valterre *título provisório*

    Mensagem  Phill em 20/1/2014, 02:48

    Adorei.
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    Re: Valterre *título provisório*

    Mensagem  Kuroo em 6/3/2014, 20:23

    E esta merda não anda?


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    Re: Valterre *título provisório*

    Mensagem  Unlocalized Ace Attorney em 19/12/2014, 14:33



    Vocês esperavam por uma atualização, mas era apenas eu, Dio!
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    Re: Valterre *título provisório*

    Mensagem  Kuroo em 19/12/2014, 17:52



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    Re: Valterre *título provisório*

    Mensagem  Unlocalized Ace Attorney em 10/3/2015, 01:21

    Postando um capítulo ao meio porque tenho receio do Google Drive me trollar e eu perder tudo que eu escrevi. Está ruim. Vocês foram avisados.

    Ah sim, vale lembrar que desde o capítulo anterior houve um time skip. Eu pensarei em como deixar isso mais explícito e menos esquisito quando não for 01:21 e eu for capaz de pensar direito.

    Spoiler:

    Um relâmpago caiu relativamente perto da mansão, o estrondo ecoou pelos quartos e invadiu os tímpanos daqueles que insistiam em dormir àquela hora.

    Asvel pulou da cama de imediato, tendo sido tirada de seu sono tranquilo - sobre o qual já não conseguia se lembrar mais, mas tinha sido agradável, sabia -, sentou-se abruptamente sobre o colchão e sentiu uma tontura por ter feito com tanta rapidez. Ao recuperar-se, observou seus arredores com os olhos semiabertos. Coçou cada um com cada mão e então reparou que as cortinas de seu quarto balançavam freneticamente por ter deixado a janela aberta na noite anterior. Ainda bêbada de sono, atirou seu cobertor para o lado e correu em direção a janela: Não precisava ser um gênio para saber que relâmpagos e ventanias costumam ser acompanhados de chuva.

    Como pude ser tão estúpida? Eu deveria ao menos ter tido bom senso para não escancarar as janelas!, refletiu enquanto fechou as janelas com rapidez, batendo uma na outra com força em sua pressa. Ela esfregou as mãos no vidro para ter uma visão melhor do tempo: Haviam passado semanas desde que não chovia naquela região de Verone e meses desde que uma tempestade como aquela aconteceu. Ouviu boatos de que a seca estava prejudicando as plantações, o suficiente para que Lorde Sieyen considerasse relutantemente a diminuição da taxação dos camponeses que abasteciam a população após contínuas visitas e súplicas que pareciam não cessar mais. Parece que ele não precisará mais se preocupar. A garota suspirou por desânimo, a despeito da felicidade de outrem. Pelo visto vou ficar presa na mansão pelo resto do dia.

    Decidiu que já gastara tempo suficiente em seu quarto e voltou-se para seu guarda-roupas alto e comprido de marfim para escolher suas roupas. Remexeu em seus cabides por alguns segundos, indecisa sobre o que vestir, e então viu seu vestido de cor azul com bordados brancos e decidiu que era o que queria para a ocasião. Quando terminou de se arrumar - o que incluía também arrumar seus cabelos, o que Asvel insistia em fazer sozinha, recusando pedir ajuda a cortesãs atendentes-, saiu de seu quarto e o trancou.

    O corredor da mansão estava quieto, o que era normal - aquele andar havia sido especificamente construído para receber os lordes que visitavam Sieyen, este tendo seu quarto em outra seção, e raramente havia movimento naquele andar que não fossem guardas e ocasionalmente serviçais, logo ficava longe do barulho que Asvel certamente poderia ouvir se se aproximasse das escadas e descesse meio lance. Haviam poucas pessoas no corredor, todos eles lordes, e ela pôde ouvir reclamações quanto ao relâmpago que caíra nas proximidades e o riso de outros quanto ao infortúnio. Não estou sozinha nessa, então. O pensamento fez com que ela desse um sorriso breve, interrompido pelo cutucar em seu ombro.

    - Acordada a esta hora da manhã? Você costuma dormir por mais tempo.

    Asvel virou-se para trás e viu uma dama jovial de cabelos castanhos claros e trançados, que aparentava ser apenas um pouco mais velha que ela e ter chegado a sua maturidade a pouco tempo, vestindo uma saia de cor creme com bordados brancos. Em seu pescoço havia um colar prateado, e nele havia o retrato de um homem severo e ossudo segurando com as duas mãos um martelo na altura do peito. O juiz que representa a casa Sieyen, diziam os boatos, fora o primeiro Lorde Sieyen, premiado com terras pelo rei após se destacar como juiz em um momento de crise em Verone. Asvel lembrava as palavras de Lucien quanto ao símbolo da Casa: Toda a genialidade que caberia à família ao longo das eras foi usada no Primeiro de Seu Nome. Hoje vemos que seus descendentes mal conseguiriam administrar uma fazenda pequena, para a vergonha do bom Lorde, a despeito de serem amigos leais. O caso recente de seca atestou a incompetência da qual Lucien falou, percebeu ela.

    - Eu costumo dormir por mais tempo, quando não me acordam de repente - respondeu com um dar de ombros.
    - Então você é uma das vítimas indiretas do relâmpago agora a pouco? - perguntou, com um sorriso a demonstrar confiança, como se estivesse vencendo um jogo. Ela sempre faz isso quando já sabe a resposta de uma pergunta. Suas mãos pequenas e um tanto ossudas estavam apoiadas em sua cintura fina.
    - Acho que você já sabe a resposta, não é? - retrucou Asvel, que então sorriu de volta por um momento, antes de tomar um semblante inquisitivo - A propósito, Daena, já que você mencionou o tempo, sabe quanto falta até o Sol alcançar o topo?

    A garota parou para pensar um pouco e cessou seu sorriso.

    - Não, não pude ver o Sol através das nuvens. Porém, como costumo acordar enquanto o Sol está na metade de seu percurso para o topo - ergueu o dedo indicador durante a fala -  suponho que deva ser um pouco mais tarde que isso, no máximo.
    - Ainda é uma estimativa vaga, mas serve - debochou, porém de forma saudável para com sua amiga - De toda forma, não há muito o que fazer hoje, então o tempo não importa muito…
    - Então somos duas desocupadas - disse, com um sorriso matreiro surgindo, entrando em contraste com seu costume formal e fino digno da princesa dos Sieyen - Já que você terá todo tempo livre e eu também, conto com você para me salvar de meu tédio. E pretendo incomodá-la até que isso se cumpra.
    - Então está com-

    A atenção de Asvel foi levada ao lance de escadas, de onde uma empregada andava apressadamente na direção das duas. Sua pausa fez com que Daena virasse para trás e encarasse a intrusa, seu semblante insatisfeito com a interrupção.

    - Com sua licença, Lady Daena, Lady Asvel. - fez uma vênia educada, porém não demorou até continuar - Milorde Sieyen está chamando as duas para a sala do trono.
    - Diga-nos o motivo - ordenou Daena, impaciente, seu tom perfeitamente imperativo.
    - Perdão, mas não me foi dito o motivo. Milorde Reinhart também está a espera das senhoras. É só o que sei.
    - Iremos ao encontro deles imediatamente. Está dispensada - declarou Daena, usando sua mão direita livre para enxotar a empregada para longe, ao qual ela obedeceu de imediato. Então virou-se para Asvel novamente, agora com um sorriso no rosto - Bom, parece que o dia não será tão tedioso assim. Com Lucien, teremos notícias do que está acontecendo fora dessas paredes.

    Asvel não conseguiu suprimir um sorriso largo de satisfação com o retorno de seu tutor. Várias vezes ele saía para combater os exércitos invasores de Azuria, e em todas as vezes Asvel ficava com seu coração aflito ao vê-lo ir e alegre ao vê-lo retornar. Havia criado um laço forte com o regente ao qual cabia o título de Reinhart, o qual respeitava tanto quanto respeitou seus pais quando ainda estavam vivos. Saber que ele continuava bem mesmo arriscando-se incessantemente para manter os inimigos longe lhe abria o humor independente da situação em que ela se encontrava.

    Porém, havia algo que ela precisou fazer antes de ir a seu encontro.

    - Daena, você pode ir ao encontro de Lucien e avisá-lo que estarei descendo em breve junto de meu irmão? O cabeça dura ainda está dormindo.
    - Rine, não é? Hm... - contrário ao que pareceu, ela já possuía a resposta na ponta da língua - Tudo bem, mas não demore. Nem Lucien nem meu pai gostam de esperar muito tempo.
    - Não se preocupe, já aprendi a ser pontual com tantas as exigências que me são feitas.

    Daena Sieyen separou-se de Asvel, deu um aceno para trás e desceu o lance de escadas, a borda de seu vestido quase a alcançar os degraus. Então Asvel caminhou na direção da porta esquerda, o outro quarto adjacente ao seu, onde seu irmão se alojava, e bateu na porta de maneira ritmada.

    Sim o nome Sieyen é uma referência a Sieyes. Como não vale a pena dizer quem é, só digo que é alguém importante e relacionado a Direito. Nice-u, criatividade súbita para dar nomes absurdos.

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    Re: Valterre *título provisório*

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      Data/hora atual: 25/6/2018, 08:57