[Det.] Alester Foster

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    [Det.] Alester Foster

    Mensagem  Kuroomemi em 7/9/2014, 15:00


    Theme Song:


    Prólogo
    :

    Spoiler:


    Prólogo:
    A chuva caía incessantemente do céu noturno, onde a única luz visível provinha da Lua cheia, que dava um pálido brilho às ruas da cidade, conciliadas com as luzes elétricas dos candeeiros dispostos a intervalos pela estrada. As rodas do carro negro atiravam a água para a rua, em compasso com o limpa-para-brisas, incansável a tentar melhorar a visão do condutor do carro negro e branco, com uma estrela no capô e nas portas da frente, um carro da polícia, cuja aparência era completada pelas luzes vermelhas e azuis que tinham origem no tejadilho do automóvel que virou à direita para uma rua sem saída, numa das zonas mais pobres da cidade até, por fim, estacionar junto ao passeio, onde já estavam também estacionados outros dois carros da polícia e uma ambulância, as luzes da mesma a iluminarem o edifício. A placa luminosa onde se lia “HOTEL” estava claramente torta e em más condições, o que condizia com o edifício de aspecto velho e de paredes castanhas e sujas, com uma escada ao descoberto no exterior feita de metal que levava ao primeiro andar onde estavam as entradas para os quatro quartos, enquanto em baixo se destinava à recepção e a zona de convívio e refeições. O ar cheirava a fumo.
    Porque é que sempre que eu tenho que investigar algum crime é sempre na maior pocilga possível?”.
    A porta do carro por fim abriu-se e o detective Scott Tumblety abandonou a sua viatura, deixando a chuva cair-lhe sobre o sobretudo negro que usava sobre o seu fato. Tumblety era já um veterano na força, com um corpo volumoso, uma face arredondada e um portentoso bigode negro . O chapéu de coco que tinha sobre a cabeça pelo menos impedia o cocuruto da cabeça de se molhar, mas isso não deixava o detective muito mais animado quanto ao que ali tinha que fazer.
    -Detective Tumblety. – Cumprimentou uma voz familiar.
    Tumblety rodou a cabeça na direcção da entrada do hotel, encontrando em frente à mesma um homem jovem, nos seus trinta e poucos anos, magro e com uma face longa, de cabelos castanhos encaracolados e olhos azulados, vestindo um sobretudo cinzento, dentro dos bolsos dos quais ele guardava as mãos.
    -Wilks. – Acedeu Tumblety ao reconhecer o detective mais jovem. – Agradeço-te se fores rápido, esta chuva não quer parar e eu estou a chocar uma febre.
     Benjamin Wilks acenou com a cabeça, fazendo um gesto em direcção à escadaria de metal, pela qual Tumblety começou a subir ao lado do mesmo.
    -Então o que era tão urgente? – Questionou Tumblety, puxando de um maço de cigarro do seu casaco, acendendo um contra a palma da mão. – Porque é que eu tive que vir a correr para o cú da cidade a esta hora da noite?
    -O dono do hotel encontrou uma mulher morta num dos quartos. – Repeliu Wilks num tom de voz sério e baixo, audível ainda assim sobre a chuva que não dava tréguas.
    -Uma melhor morta num hotel de Brickturn, isto não é um acontecimento, é uma terça-feira. – Resmungou Tumblety fazendo referência à má fama que o bairro de Brickturn, o mais pobre e decrépito da cidade de Hallowshire.
    Wilks não disse nada mais, limitando-se a encaminhar Tumblety escadas acima e depois seguindo até à porta do quarto marcado com o número quatro, à volta do qual estava já colocada fita de segurança amarela e negra e aguardava um agente fardado, com uma expressão afectada.
    -Está tudo bem contigo, Mollison? – Perguntou-lhe Wilks.
    -Sim, Detective Wilks. – Respondeu o homem, se bem que, a sua expressão indicava tudo menos isso, como se o mesmo estivesse prestes a vomitar. – Apenas um pouco adoentado, nada demais.
    Tumblety passou a mão pelo bigode, escondendo um sorriso atrás da mão. “Novato, ainda estás muito verde”. Mollison afastou ainda assim a fita para que os seus superiores passassem, com Wilks a abrir a porta, deixando Tumblety entrar primeiro no quarto. O mesmo era pequeno, formando praticamente um quadrado, com uma cama de aspecto sinceramente desconfortável a um canto, uma mesa-de-cabeceira de madeira barata ao lado, uma mesa com um pequeno televisor a um canto e do outro lado da cama uma porta que daria ao quarto de banho, no entanto, o olhar de Tumblety não se conseguia desviar do chão, onde jazia o corpo sem vida de uma mulher. A mesma fora outrora loira, com cabelos longos e olhos castanhos, poderia outrora ser considerada atraente, mas a morte revogara-lhe tal privilégio. As roupas da mesma tinham sido rasgadas pelo que parecia ser uma faca, que lhe deixara também um corte no pescoço. No entanto, o que mais chamou a atenção de Tumblety era o grande corte na zona abdominal da mesma. Tumblety deu apenas mais alguns passos em frente, verificando que o útero da mesma tinha sido removido.
    -“Ele”? – Questionou Tumblety, afastando-se de imediato do cadáver.
    -Todos os sinais apontam para isso. – Wilks levou a mão ao queixo. – A vítima era uma “acompanhante”, foi brutalmente assassinada e um órgão foi removido. E, estamos em Brickturn.
    Tumblety apressou-se a sair do quarto para o exterior, acendendo outro cigarro para tentar acalmar-se, inalando o fumo, tentando encontrar a calma que lhe faltava. “Porra, Scott, és um veterano da polícia. Quem devia estar quase a vomitar era o puto do Wilks, não tu!”. O Detective Wilks apareceu a seu lado pouco tempo depois, olhando para o horizonte escuro e degradado de Brickturn.
    -Há impressões ou qualquer pista que nos possa dar DNA? – Perguntou Tumblety, depois de alguns segundos em que se limitou a fumar.
    -Estão à procura, mas não me parece. – Wilks encolheu os ombros.
    -Grande estupor. – Praguejou Tumblety. – Já é a terceira e estamos tão perto de o encontrar como na primeira. – Tumbelty arriscou um olhar para dentro da sala, mas desviou-o de novo. – O teu amigo. Aquele detective privado… Ele está a par do caso?
    -Toda a gente na cidade está, Detective. – Wilks, cruzou os braços, encostando-se à parede. – Todos têm medo de sair à noite e serem apanhados pelo “Carniceiro”.
    -Mas nem toda a gente tem a capacidade de investigação lá do teu amigo. – Tumblety tentou recordar-se do nome do mesmo. “Alan? Ambrose?”. – Ele já não te conseguiu ajudar a resolver casos aparentemente impossíveis?
    -O senhor está mesmo a implicar que eu peça ajuda fora da polícia num caso desta importância. – Wilks fez um sorriso pretensioso.
    -Estou, porquê? – Perguntou Tumblety, respirando fumo na face do mais jovem.
    -Apenas não é algo habitual no Detective. – Wilks abanou a cabeça. – De qualquer das formas, eu vou falar com o meu amigo. De certo que ele estará interessado no caso.
    -Óptimo. – Tumblety acenou e começou a afastar-se do hotel em direcção ao seu carro. - Como é que ele se chama afinal?
    -Alester. – Respondeu Wilks. – Alester Foster.


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    Re: [Det.] Alester Foster

    Mensagem  Kuroomemi em 20/2/2016, 01:20

    ..MEETING..

    Spoiler:

    O frio chegara mais tarde nesse ano, mas chegara de forma intensa, com ventos fortes e com neve. Poucas pessoas andavam nas ruas de Skyshire, apenas com uma razão muito boa se poderia enfrentar o frio. E era com uma dessas razões que Amelia Shaw caminhava em passo apressado, descendo Duke's Alley. Amelia era uma jovem de meia-altura, com cabelo cor de mel, face oval e pálida e olhos cinza. Um cachecol cinza e negro cobria a parte inferior do seu rosto, um gorro negro sobre a cabeça e um casaco longo e quente para enfrentar o frio, os braços em redor de pastas com papéis que ela segurava contra si enquanto fazia o seu caminho.

    Amelia dirigia-se a Owl Street, uma rua pequena perto da zona sul da cidade onde deveria ter uma entrevista de emprego. Ela encontrara o anúncio online e ao ler o mesmo os seus olhos tinham de imediato arregalado ao lê-lo. Era um trabalho como assistente de um detective privado de alguma fama, Alester Foster. A generalidade o público talvez não o conhecesse, afinal, no entanto, para quem tinha algum interesse, algo que macabro, em notícias de crime, teria certamente lido o nome dele, ou deparado-se com o seu blog.

    Foster Crimes era um dos sites que Amelia fazia sempre questão de visitar todos os dias, apesar de que updates ao mesmo eram bastante infrequentes. Pela sua escrita, Foster podia por várias vezes parecer algo arrogante e demasiado convencido das suas próprias habilidades, no entanto, o sentido de humor negro e a descrição e explicação de vários crimes, compensavam isso.

    O anúncio fora colocado pelo mesmo, mas através de uma empresa mais especializada na colocação de trabalhadores, por admissão do mesmo no blogue, "Porque eu não faço a mínima de como isto funciona". Amelia acabara por enviar e, em pouco tempo, tivera uma resposta afirmativa para uma entrevista. Ela saltara felizmente no apartamento, assim que soubera, era quase como um sonho, finalmente, poderia trabalhar na investigação criminal como sempre desejara.

    Ao finalmente chegar a Owl Street, em poucos metros, alcançou a porta do número 213, sobre a qual tinha sido colocada uma placa de metal brilhante na qual estava gravada "Alester J. Foster: Detective Privado". Amelia ergueu então a mão direita, batendo três vezes na porta, justo por baixo da placa, aguardando alguns momentos sem resposta, antes de bater novamente, desta vez, por fim, ouvindo do outro lado uma voz:

    -Está aberta! Entre!

    Amelia respirou fundo, por fim, agarrando o puxador e rodando-o, entrando.
    Do outro lado da porta, aguardava-a um escritório relativamente pequeno, com chão em madeira clara e paredes com papel de parede azul-escuro já um tanto gasto. Várias estantes com livros e dossiers cobriam a maior parte das paredes, se bem que na parede mais distante havia um quadro de uma natureza morta e também um relógio de cuco noutra parede. Havia um sofá algo velho em frente a uma mesa, com um televisor não muito moderno, algo "robusto" de frente para ambos, no entanto, o olhar de Amelia foi atraído para a secretária junto a uma das paredes, com duas cadeiras vazias dum lado e do outro, apenas uma, onde estava sentado um homem sorridente.

    Foster nunca colocava fotografias nos seus posts, não que não estivessem relacionadas com os casos e a imagem do mesmo nunca fora divulgada quando o mesmo fora referido em jornais ou na televisão, razão pela qual, a aparência do mesmo surpreendera bastante Amelia. Ela sempre o imaginara como um homem de meia-idade, sempre vestido formalmente e de chapéu alto, mas a pessoa que ela encontrou não podia ser mais diferente:

    Alester Foster devia ser pouco mais velho que ela, mas bastante mais alto, com cabelos ruivos curtos, com apenas algumas franjas caindo-lhe sobre a testa, olhos verdes perspicazes, barba pouco cuidada, com uma cicatriz interrompendo-a do lado esquerdo da face do detective. Quanto à imagem de roupa formal, também estava errada quanto a isso, Foster vestia-se de forma perfeitamente casual, com uma t-shirt negra com um desenho estilizado de uma raposa e um casaco cor de vinho com as mangas arregaçadas, mostrando pulseiras coloridas no pulso esquerdo. Os pés sobre a secretária ajudavam ainda menos a dar-lhe um ar digno.

    -Ahm... - Fez Amelia, ainda um pouco sem saber a como reagir. - Alester Foster?

    -O próprio. - Foster alargou o sorriso, antes de retirar os pés da secretária, pousando antes os seus cotovelos, fazendo sinal para uma das cadeiras à sua frente. - Amelia Shaw?

    -Sim, exactamente. - Respondeu a jovem, sentando-se, algo nervosamente. - Viu a minha ficha?

    -Mais ou menos. - Foster encolheu os ombros. - Não acho que ler currículos seja interessante. Bastou-me ler o nome e ver a fotografia para saber quem eram os candidatos.

    -Ah... - Amelia baixou os seus papeis, pousando-os no colo. - Então como faz a selecção?

    -Falando com a pessoa em questão, óbvio. - Foster olhou para ela como se a estivesse a avaliar. - Queres que te explique como funciona o trabalho?

    -Sim, sim, por favor. - Amelia fez um pequeno aceno com a cabeça.

    -Ok, então. O meu assistente, ou a minha assistente, basicamente ajudar-me-ia com o blog, ajudar-me-ia a tomar notas e seria o meu principal gestor de clientes.

    -Gestor de clientes...?

    -As pessoas são chatas. - Foster fez uma careta. - Pedem, choram, conta-me a história toda da vida delas, e eu honestamente, não quero saber. Terias basicamente que falar com elas e dizer-me o que achares importante.

    -Oh... - Amelia acenou novamente. A pessoa que Foster dava a entender ser na sua escrita era praticamente a mesma que estava à frente dela. Alguém inteligente, mas também demasiado consciente da sua inteligência. - Bem e então... O que eu tenho que fazer?

    Foster sorriu-lhe, um sorriso que parecia simultaneamente divertido e intrigado:

    -Vamos jogar algo.

    -Perdão?

    -Eu faço-te uma pergunta, tu respondes-me e podes fazer tu uma pergunta. - Foster recostou-se na cadeira.

    -O que é que isso faria? - Amelia ergueu uma sobrancelha. - Supostamente não devia avaliar as minhas capacidades?

    -Que idade tens?

    -O quê?

    -Não ouviste? - Foster voltou a sorrir. - Que idade tens?

    -Ah... Fiz vinte-e-três em Setembro. - Amelia ainda tinha a confusão espelhada na face. Tentando descobrir o que raio é que Foster queria com aquele exercício. Um pouco sem saber o que perguntar dentro do jogo, lá acabou por dizer: - E você?

    -Por favor, trata-me por tu. - Foster coçou distraidamente a barba antes de responder. - Vinte-e-seis. Porque queres trabalhar comigo?

    -Porque sempre gostei imenso de livros e séries de detectives, e porque o mundo de detectives e de crimes fascina-me e, acabei por ficar fã do se-- do teu blogue. - Ela ficara um pouco dividida se deveria de facto dizer a verdade, ou se deveria dizer algo mais profissional e sério, mas pela expressão e a forma de falar do detective, mais valia ser sincera. - Quem gere o blogue?

    -Apenas eu. O teu cabelo é pintado ou esse tom de louro é natural?

    -O quê? - Amelia olhou para ele com uma expressão confusa e algo incomodada. - Em que é que isso ajuda em saber se sou boa para o lugar ou não?

    -Responde à minha pergunta e eu respondo à tua. - Foster cruzou as mãos em frente à cara, mas o seu sorriso ainda era visível, sorriso esse que começava a irritar um pouco a jovem.

    -Ok, é natural. - Amelia cruzou os braços. - A minha pergunta é a mesma dantes.

    -Sobre no que ajuda a decidir se és boa para o lugar? - Questionou Foster. - Bem, faz parte do jogo. E o jogo é como decidi. Agora a minha pergun--

    -Sim. - Interrompeu a jovem.

    -Sim? - Foster ergueu uma sobrancelha. - Eu ainda não te fiz a pergunta.

    -Fez--Fizeste, sim. - Amelia sorriu, a sua melhor imitação do sorriso do detective. - Pergunto qual era a minha pergunta e eu ainda não tinha respondido.

    Foster pareceu ponderar o que ela tinha dito durante um momento antes de alargar o sorriso até se começar a rir, apanhando-a um pouco de surpresa, mas não tanto como quando ele esticou-lhe a mão direita por cima da secretária:

    -Ok, acabaste com as minhas dúvidas. Bem-vinda à agência.



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    Re: [Det.] Alester Foster

    Mensagem  Kuroomemi em 18/9/2016, 20:18

    A Small Town.


    [spoilers]

    O comboio continuava em frente, progredindo sobre os carris, sempre mantendo a sua velocidade. Era um comboio antigo, com cadeiras em pêle escura, mutias delas com marcas e arranhões de uso, com luz fraca dentro do mesmo, sendo quase toda a visibilidade oferecida pelos raios de sol que entrava pelas janelas de cantos arredondados.

    Ao estar no mesmo, era mais que óbvio que


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